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A importância da atuação profissional no Setembro Amarelo

Nos dias de hoje, é impossível ignorar a crescente complexidade dos problemas enfrentados por muitos clientes no âmbito da saúde mental e física. Especialmente durante o Setembro Amarelo, mês de conscientização e prevenção ao suicídio, essa complexidade exige uma abordagem multiprofissional, onde diferentes especialistas atuam juntos para oferecer um cuidado integral e profundo.

Quando falamos de problemas como a ideação suicida, é importante lembrar que nenhuma solução é única. Cada cliente é um universo de necessidades que abrangem aspectos biológicos, psicológicos e sociais, e é justamente essa multiplicidade que exige a intervenção de uma equipe diversa. A escolha dos profissionais adequados depende da situação de cada pessoa e é crucial entender as diferentes abordagens que podem ser aplicadas.

A abordagem comportamental, por exemplo, foca diretamente nos padrões de comportamento observáveis, buscando identificar e modificar ações que possam estar contribuindo para o sofrimento do cliente. Técnicas como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) são comuns aqui, ajudando a transformar pensamentos autodestrutivos em padrões mais saudáveis.

Por outro lado, a abordagem biopsicossocial traz uma visão ampla da condição do cliente, reconhecendo que fatores biológicos, como alterações hormonais, se interligam com o estado emocional e as circunstâncias sociais. Essa perspectiva é essencial para abordar problemas complexos, como a depressão e a ansiedade, oferecendo um tratamento que envolve o corpo, a mente e o ambiente em que o cliente vive.

Ainda assim, há momentos em que precisamos de um olhar mais voltado para as relações sociais e familiares, e é aqui que entra a abordagem sistêmica. Essa linha de pensamento entende o cliente dentro de um contexto de interações e influências. Especialmente no caso de questões como o suicídio, o suporte familiar e social pode ser decisivo, e a abordagem sistêmica foca em melhorar essa dinâmica para promover o bem-estar.

Nesse contexto, a atuação multiprofissional se revela fundamental. Cada profissional traz uma peça única para compor o cuidado integral do cliente. Por exemplo, ao trabalhar com pessoas que estão em risco de suicídio, uma equipe pode incluir psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e até profissionais de Educação Física, cada um contribuindo com sua expertise para melhorar a qualidade de vida e prevenir crises.

O profissional de Educação Física, por exemplo, não lida diretamente com o tratamento psicológico, mas pode ser crucial ao identificar sinais de alerta, como mudanças abruptas de comportamento ou perda de motivação. Essa observação pode ser o ponto de partida para que o cliente receba a ajuda necessária de outros especialistas. É esse trabalho em conjunto, onde cada profissional reconhece seus limites e colabora com outros, que torna a equipe multiprofissional tão poderosa.

Durante o Setembro Amarelo, é mais importante do que nunca que cada profissional esteja atento aos sinais de que o cliente precisa de mais do que um tratamento isolado. Mudanças no humor, isolamento social ou falas que revelem desespero podem ser sinais de alerta, e a ação rápida e coordenada entre diferentes áreas de cuidado é o que pode fazer a diferença.

No final das contas, o cliente é um quebra-cabeça complexo, e cada profissional traz uma peça que ajuda a completar a imagem. Juntos, os profissionais de uma equipe multiprofissional formam uma rede de suporte que envolve o cliente em todas as frentes, promovendo a saúde e prevenindo situações trágicas como o suicídio. Esse é o poder da atuação integrada: cada abordagem complementa a outra, e o cuidado oferecido é completo, atento a todas as necessidades do cliente.

Fonte: Revista Empresário Fitness & Health – Edição 141
Escrito por: Leonardo Farah

O futuro da Educação Física

Quando ingressei no ensino superior como docente, após uma carreira extensa em diversas etapas do mundo empresarial—do varejo à distribuição, revenda e importação—tive a oportunidade de vivenciar um cenário diferente. Comecei em 1999, numa época em que poucos acreditavam no potencial do comércio eletrônico, vindo de uma empresa familiar. Porém, com contatos internacionais e observando as tendências tecnológicas que surgiam em outros países, compreendi o tempo necessário para que essas inovações chegassem ao Brasil. Esse entendimento foi fundamental para minha atuação em diferentes mercados, como o da Educação Física, fitness, medicina, esporte, nutrição, dentre outros.

Essa experiência diversificada me ensinou a valorizar a conexão entre diferentes áreas do conhecimento. Nunca tive a pretensão de considerar a minha ciência—Educação Física—como superior. Pelo contrário, aprendi cedo que o sucesso profissional reside na capacidade de gerar conexões, construir pontes e somar esforços para multiplicar resultados.

Você pode estar se perguntando: o que isso tem a ver com o futuro da Educação Física? Bem, se chegou até aqui, já deve ter percebido que seguir modelos prontos não garante sucesso. A chave está na variação de estímulos e na aplicação de diferentes métodos para diferentes situações. Isso exige um repertório vasto de conhecimento. Podemos crescer como um bambu, que se alonga rapidamente, ou como uma pirâmide, sólida e multifacetada. A escolha é nossa. Afinal, guerras não são vencidas com uma única estratégia, e o exercício físico, sem variação de estímulos, não promove as adaptações necessárias.

Entendo que a Educação Física já perdeu muito—talvez por negligência, talvez por uma visão limitada de mundo, ou talvez por uma combinação de ambos. Mas algo que aprendi é que, para mudar, precisamos oxigenar. Assim como o corpo precisa de oxigênio para sobreviver, novas ideias são essenciais para promover mudanças.

Há uma resistência considerável ao novo em nossa profissão. Muitos “profissionais” ainda julgam a qualidade de um serviço pelo físico do colega. Esse tipo de pensamento é ultrapassado e contraproducente. O verdadeiro mérito está em resolver os problemas que a sociedade enfrenta, o que requer um olhar muito mais voltado para fora do que para dentro da Educação Física.

Hoje, não precisamos mais de um profissional para nos orientar em cada movimento—há uma variedade imensa de aplicativos e modelos de negócios que minimizam essa necessidade. No entanto, o profissional de Educação Física deve compreender que a tecnologia está aqui para facilitar a vida, não para substituí-la. Existem clientes que buscam, sim, um espaço para conversar e se exercitar, mas cada um tem necessidades distintas. O exercício físico é um meio para atender essas necessidades e não um fim em si mesmo.

Estamos diante de uma população que cresce biologicamente, mas que frequentemente não desenvolve as habilidades motoras necessárias nem possui a aptidão física mínima para realizar atividades básicas do dia a dia. Nós, como profissionais de Educação Física, precisamos nos adaptar a essa realidade e nos conectar com o que é necessário para que mais pessoas se tornem fisicamente ativas.

Por tudo isso, o futuro da nossa profissão não depende exclusivamente dos conselhos, associações ou sindicatos. Depende de cada profissional que ama o que faz e que se dedica a servir a sociedade com ética e compromisso. É na resolução de problemas que encontramos nosso valor, e não em terceirizar a culpa ou nos colocarmos como vítimas.

Escrito por: Leonardo Farah

Fonte: Revista Empresário Fitness & Health – Edição 140

PORQUE SUA ACADEMIA PRECISA DE WEARABLES

 A integração de dispositivos vestíveis (wearables) na saúde está revolucionando o cuidado com pacientes, permitindo monitoramento contínuo e atendimento personalizado.

Mas por que essa tecnologia ainda não foi amplamente adotada nas academias e pelos personal trainers?

Em ambientes médicos, pacientes são monitorados constantemente, permitindo que os médicos tomem decisões rápidas e precisas. No entanto, nas academias, há uma análise superficial que desconsidera fatores cruciais como a qualidade do sono e o nível de dor. Os wearables poderiam preencher essa lacuna, oferecendo dados em tempo real sobre a saúde dos clientes.

Com dados coletados por wearables, personal trainers podem criar planos de treino personalizados, ajustando volume e intensidade com base em informações precisas. Isso não só aumenta a eficácia dos treinos, mas também melhora a experiência do cliente, evitando problemas de saúde a longo prazo.

Monitorar continuamente os parâmetros de saúde dos clientes ajuda a detectar precocemente qualquer anomalia, permitindo intervenções imediatas. Isso é crucial para prevenir lesões e melhorar o bem-estar geral dos clientes.

Apesar dos benefícios, a adoção de wearables enfrenta desafios como a segurança de dados e a aceitação do usuário. Melhorias na duração da bateria e na compatibilidade dos dispositivos são necessárias. No entanto, superando esses obstáculos, a tecnologia wearables pode revolucionar o mercado fitness, proporcionando uma experiência de treino mais segura e eficaz.

Em vez de tratar todos os clientes como se estivessem no mesmo nível, é essencial monitorar e analisar continuamente seus parâmetros de saúde. Isso não apenas previne problemas futuros, mas também garante que cada cliente atinja seus objetivos de forma segura e eficiente.

A tecnologia wearables não é apenas uma tendência, é uma necessidade urgente para melhorar a experiência e a saúde dos clientes nas academias. Vamos adotar essa inovação e transformar o cuidado com nossos clientes!

Sugestão de leitura

A review of wearable technology in healthcare: Monitoring patient health and enhancing outcomes.

Clique aqui para acessar. 

Fonte: Revista Empresário Fitness e Health Edição 139

Escrito por: Leonardo Farah

Dois terços da população de Passos estão com obesidade ou sobrepeso

Dados constam de pesquisa realizada por três profissionais de Educação Física que realizam palestras sobre os riscos do sedentarismo

 Além de detectar obesidade, o mesmo estudo mostrou que 41% dos entrevistados possuem níveis baixos de atividade física (foto/ Pixabay)

Lívia Ferreira

Dois em cada três moradores de Passos estão obesos ou com sobrepreso. Os dados constam de uma pesquisa realizada entre setembro e dezembro de 2023 por Lúcio Marques*, Claudia Arouca** e Jean Lucas***, profissionais da Educação Física e membros da diretoria da Academia Brasileira de Personal Trainers. Intitulada “Levantamento do nível de atividade física da população adulta de Passos, Minas Gerais”, o projeto entrevistou 594 pessoas. O objetivo foi avaliar o nível de atividade física de moradores acima de 18 anos do município. Os resultados preliminares apontam que 66,33% deles estão sobrepeso ou obesidade. O mesmo estudo mostrou que 41,24% possuem níveis baixos de atividade física – para uma pessoa ser considerada ativa são necessários pelo menos 150 minutos de atividade física distribuídos ao longo da semana.

Metodologia
O instrumento utilizado na pesquisa foi o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) – versão curta. Ele permite estimar o tempo semanal gasto em atividades físicas de intensidade moderada e vigorosa em diferentes contextos do cotidiano, como: trabalho, transporte, tarefas domésticas e lazer, e ainda o tempo despendido em atividades passivas, realizadas na posição sentada. Em paralelo, foram coletadas as informações de massa corporal e altura, o que possibilitou o cálculo do IMC e a estimativa da obesidade na população.
Levando em conta o tamanho da população de Passos, (84.000 adultos), o cálculo amostral considerou nível de confiança de 95% e erro amostral de 5%, estimando-se o tamanho amostral de 383 participantes.

Pandemia
Em 2022 Jean fez um levantamento com base nos dados do Sistema de Nacional Vigilância Sanitária do Governo Federal. “71% das pessoas que passaram pelo Programa de Saúde da Família de Passos em 2022 estavam sobrepeso e obesas”, relembra. Naquela ocasião o mundo vivia os efeitos do sedentarismo imposto pelo lockdown decorrente da pandemia do coronavírus. Em 2023, quando a rotina voltou ao normal, os três profissionais resolveram realizar a pesquisa. “A intenção era compreender a realidade local e enfrentar os desafios associados ao sedentarismo”, explica Cláudia. Ela traduz em números a escalada de uma vida sedentária. “Na década de 1980, as pessoas davam cerca de 10 mil passos por dia. Hoje este número é de 2.400, em média”, compara.

Palestras em escolas
De posse dos dados, os pesquisadores estão percorrendo as escolas públicas de Passos conscientizando professores sobre a necessidade de uma vida ativa. Em 2024 eles começaram também a ministrar palestras de conscientização nos ambientes corporativos da cidade e região. “A américa latina é o continente mais sedentário do mundo. E o Brasil, infelizmente, lidera esse ranking preocupante. 80% das doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas, estão diretamente relacionadas ao sedentarismo. É a quarta maior causa de morte no mundo. No Brasil, segundo o IBGE, 47% da população adulta é sedentária. Entre os jovens, esse número é ainda mais alarmante: 84% não praticam atividade física regularmente”, relata Lúcio.

Agita Passos
Com o intuito de aumentar as opções de atividades físicas e diminuir o sedentarismo no município, em 2021 Claudia procurou o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS), responsável pelo Agita São Paulo – programa criado para combater o sedentarismo no Estado de São Paulo, promovendo o nível de atividade física e o conhecimento dos benefícios de um estilo de vida ativa. A iniciativa deu tão certo que se espalhou por outros países. Aqui no município, o programa se tornou o Agita Passos, um projeto gratuito que estimula hábitos saudáveis e a prática de exercícios físicos por meio das 12 chamadas de ação do Manifesto Internacional para a promoção da atividade física no pós COVID-19.

Sobre a pesquisa
A pesquisa foi realizada pela Academia Brasileira de Personal Trainers (ABPT), Mais Educa Eventos e Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG Passos). Apoiaram o estudo a Rede de Atividade Física das Américas (RAFA-PANA), o CELAFISCS a Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer de Passos.
Os dados estão sendo estratificados por bairro, idade e sexo. O objetivo é publicar o material em uma revista científica, apresentá-lo no Simpósio Internacional do CELAFISCS e propor para órgãos públicos estratégias e ações em prol da promoção de saúde coletiva que incluam atividade física e formas de quantificá-la.
O estudo feito em Passos foi cadastrado na Plataforma Brasil, que é a Base Nacional e unificada de registros de pesquisas envolvendo seres humanos para todo o sistema CEP (Comitês de Ética em Pesquisa) /Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), por meio do número de parecer 6.218.532 e CAAE (Certificado de Apresentação de Apreciação Ética): 69686923.7.0000.5112.
Os interessados em aplicar o questionário podem entrar em contato pelo nº de WhatsApp (35) 99824 6676

* CREF 052643 G/MG-S
** CREF 009020 G/MG
*** CREF 035477 G/MG

Fonte: VERBOARIA JORNALISTA DIGITAL

3 PILARES QUE UNEM TODOS

Vivemos em uma era onde a busca pelo bem-estar e pela saúde integral está mais presente do que nunca. Mas será que, como profissionais de Educação Física, wellness e fitness, estamos realmente integrando todos os aspectos necessários para promover um estilo de vida saudável? A reflexão sobre como podemos unir Movimento, Sabor e Diversão em nossas práticas diárias pode ser transformadora, não apenas para nossos clientes, mas para nossa própria abordagem ao bem-estar.

Movimento

Movimento é vida. Essa frase ressoa profundamente em nossa prática, lembrando-nos da importância da atividade física para a saúde física e mental. No entanto, é crucial refletir se estamos oferecendo uma diversidade de opções de movimento para atender a todos os nossos clientes. Será que estamos encorajando apenas os mais ativos ou estamos realmente alcançando aqueles que precisam de uma abordagem mais suave?

Pense nas aulas de yoga e Pilates, que oferecem alongamento e fortalecimento, sendo ideais para todas as idades. As sessões de treinamento funcional, focadas em melhorar a força e a resistência, e as caminhadas em grupo, que promovem interação social, são ótimos exemplos de como podemos diversificar nossas ofertas. Precisamos nos perguntar: estamos realmente criando oportunidades para que todos se movam de forma que lhes seja agradável e sustentável?

Sabor

A nutrição é a base de qualquer programa de bem-estar, mas será que estamos dando a devida atenção a este pilar em nossos eventos e práticas diárias? A alimentação saudável não deve ser vista apenas como uma escolha individual, mas como um componente fundamental de um estilo de vida equilibrado. Workshops de culinária saudável e palestras com nutricionistas são excelentes formas de educar e inspirar nossos clientes.

Ao refletirmos sobre nossa prática, devemos nos perguntar: estamos fornecendo informações suficientes sobre como a nutrição pode impactar o desempenho físico e o bem-estar geral? Estamos ajudando nossos clientes a fazer escolhas alimentares mais conscientes e saudáveis?

Diversão

Diversão é, talvez, o pilar mais subestimado, mas é essencial para manter o engajamento e a motivação a longo prazo. Incorporar música, jogos e atividades recreativas em nossos programas pode transformar a experiência de nossos clientes, tornando-a não apenas benéfica, mas também agradável.

Aulas de ritmos, jogos e competições amigáveis, festivais de música ao ar livre e sessões de relaxamento com música são maneiras maravilhosas de incorporar diversão em nossas práticas. Precisamos refletir: estamos proporcionando momentos de alegria e descontração que podem tornar o exercício e a alimentação saudável mais atrativos para nossos clientes?

Conectando os pilares em nossa prática

Integrar Movimento, Sabor e Diversão de forma holística requer planejamento e reflexão contínua. Precisamos nos perguntar se estamos realmente criando experiências que conectem esses pilares de maneira coesa.

Ao planejar nossos eventos, devemos considerar como cada atividade pode complementar as outras. Parcerias com nutricionistas, chefs, músicos e outros profissionais podem enriquecer nossas ofertas e proporcionar uma experiência mais completa para nossos clientes.

A coleta de feedback é fundamental. Estamos ouvindo nossos clientes? Estamos adaptando nossas práticas com base nas suas necessidades e desejos?

A importância da reflexão

Como profissionais dedicados ao bem-estar, temos a responsabilidade de olhar além do óbvio e integrar todos os aspectos da saúde em nossas práticas. Movimento, Sabor e Diversão não são elementos isolados, mas partes de um todo que pode transformar vidas. Ao refletirmos sobre nossa abordagem e nos comprometemos a integrar esses pilares, podemos oferecer uma experiência verdadeiramente holística e impactante para nossos clientes.

Que possamos, através dessa reflexão, continuar evoluindo nossas práticas e contribuindo para um mundo onde o bem-estar seja acessível e prazeroso para todos. Afinal, a saúde é um estado de equilíbrio e harmonia, e cabe a nós, como profissionais, guiar nossos clientes nesse caminho com sabedoria e alegria.

Fonte: Revista Empresário Fitness & Health – Edição 138

Escrita por: Leonardo Farah

Exercício para todos

Você já parou para pensar em quem são os verdadeiros beneficiários das pesquisas sobre saúde e exercícios físicos? Em um rápido olhar sobre as estatísticas das academias, constatamos que apenas 5% da população brasileira está regularmente engajada em atividades físicas nestes ambientes. Paradoxalmente, a maioria das pesquisas científicas adota um p-valor de 95% para garantir a confiabilidade dos seus resultados. Isso me levou a uma reflexão intrigante: será que nossas intervenções em saúde estão realmente atingindo quem mais precisa delas?

Essa pergunta nos leva ao cerne de uma discussão muito mais ampla e necessária. Ao nos concentrarmos nesse pequeno grupo que já pratica atividades físicas, ignoramos uma vasta maioria que permanece sedentária. Esta situação foi pensada de acordo com o princípio de Pareto de 80/20, sugerindo que a maior parte de nossos esforços pode estar beneficiando apenas uma pequena parcela da população.

A questão central aqui é a seguinte: se reconhecemos o exercício como uma solução potente para inúmeros problemas de saúde, por que então falhamos em adaptar essa “medicação” para as massas? Em minhas aulas, sempre desafio meus alunos a pensar além do círculo daqueles que naturalmente gravitam em torno das academias, e a considerar maneiras de engajar aqueles que veem o exercício como um fardo, e não como um benefício.

Este desafio exige uma abordagem mais integrada, que transcenda o comportamental e abrace o biopsicossocial, englobando aspectos psicológicos e sociais que influenciam o estilo de vida de uma pessoa. Apesar dessa necessidade clara, frequentemente nos perdemos em debates sobre qual tipo de exercício é superior para a perda de peso, se treinos de força são mais eficazes que aeróbicos, ou se deveríamos priorizar séries de repetições mais longas ou mais curtas.

Quando nós, como profissionais de saúde, reconhecermos a necessidade de uma sociedade fisicamente mais ativa, talvez possamos começar a ver nossos clientes não como atletas, mas como seres humanos que precisam de cuidados ajustados às suas realidades e necessidades. O entendimento desse aspecto é fundamental e precisa ser o foco de nossa atuação profissional. Esta reflexão não é apenas um chamado para uma mudança na forma como pensamos sobre saúde e exercício, mas um convite para reavaliarmos quem realmente estamos servindo com nosso trabalho.

Fonte: Revista Empresário Fitness & Health – Edição 137

Colunista: Leonardo Farah

Equipamentos para avaliação física, nutricional, consultoria, cursos, palestras e eventos em geral

VOCÊ ATUA COM FITNESS OU WELLNESS?

Ao mergulharmos no universo da saúde e do bem-estar, frequentemente nos deparamos com dois termos centrais, mas muitas vezes confundidos: fitness e wellness. O primeiro, fitness, está intimamente ligado à forma física, focando na capacidade de realizar atividades físicas e esportivas, melhorando aspectos como força, resistência, e composição corporal. Já o wellness, ou bem-estar, adota uma abordagem holística, englobando não apenas o bem-estar físico, mas também o mental, emocional, social, ocupacional, espiritual e ambiental. Esta distinção conceitual é crucial, pois cada área demanda abordagens e profissionalismos específicos, com objetivos e resultados distintos.

O equívoco do Wellness no universo do fisiculturismo

Interessantemente, o conceito de wellness tem sido mal interpretado em certos nichos, como no fisiculturismo, onde, às vezes, é limitado ao aspecto físico, negligenciando os outros componentes do bem-estar. Essa aplicação errônea reforça a necessidade de compreensão ampla do que verdadeiramente significa wellness, que vai além da estética ou performance física, englobando o bem-estar mental, emocional, e até mesmo o bem-estar social e espiritual.

Desafio:

Convido você, leitor, a realizar uma pesquisa simples: digite “wellness” no Google Brasil e, em seguida, no Google italiano (google.it), observando as imagens que surgem. A disparidade nos resultados pode revelar como estamos, muitas vezes, presos em uma bolha conceitual, onde wellness é erroneamente confundido com fitness. Para uma visão ainda mais ampla, instale um VPN, escolha um servidor de outro país e repita a pesquisa. Este exercício não só ilumina as variações na interpretação e aplicação do wellness ao redor do mundo, mas também destaca a necessidade de expandir nossa atuação profissional para abranger todos os aspectos do bem-estar.

Wellness além do físico

O wellness transcende a esfera pessoal, influenciando áreas como arquitetura e urbanismo, onde o design de espaços pode promover o bem-estar social e ambiental, empresas que integram programas de wellness para melhorar o bem-estar ocupacional de seus funcionários, e hospitais que adotam práticas holísticas para suportar o bem-estar espiritual e emocional dos pacientes. Esses exemplos sublinham a amplitude do campo do wellness e a importância de profissionais capacitados em diversas áreas.

Expandindo horizontes

No cerne do debate entre fitness e wellness, reside uma verdade inegável: ambas as áreas são fundamentais para a promoção de um estilo de vida saudável e equilibrado. No entanto, para maximizar o impacto de nossa atuação profissional, é crucial que não nos limitemos a uma visão estreita de cada campo. Ao contrário, devemos buscar expandir nossos horizontes, integrando conhecimentos e práticas de ambos os mundos para oferecer um suporte holístico aos indivíduos.

A interseção entre fitness e wellness apresenta uma oportunidade única para profissionais de ambos os campos não apenas colaborarem, mas também ampliarem sua compreensão e abordagem em relação ao bem-estar humano. Isso significa reconhecer que a saúde física é apenas um dos muitos componentes que contribuem para o bem-estar geral, e que o cuidado com a mente, as emoções, as relações sociais, o ambiente, a satisfação profissional e a realização pessoal são igualmente importantes.

Por isso, é essencial que, enquanto profissionais de saúde, bem-estar, arquitetura, urbanismo, psicologia, ou qualquer outra área relacionada, busquemos uma educação contínua e multidisciplinar. Isso nos permitirá não apenas compreender as nuances de cada aspecto do bem-estar, mas também aplicar esse conhecimento de maneira integrada, oferecendo soluções mais completas e eficazes para aqueles a quem servimos.

Quebrando a bolha

Ao expandirmos nossa atuação, rompemos com o isolamento profissional e abrimos portas para uma colaboração mais rica e significativa entre disciplinas. Isso não apenas aumenta nosso potencial de atuação profissional, como também eleva a qualidade do suporte e do cuidado que podemos oferecer, impactando positivamente a vida das pessoas.

Portanto, o desafio que se coloca é o de transcender as barreiras tradicionais entre fitness e wellness, abraçando uma visão mais abrangente do bem-estar. Ao fazermos isso, não só enriqueceremos nossa própria prática profissional, mas também contribuiremos para uma sociedade mais saudável, consciente e integralmente bem.

Assim, convidamos todos os profissionais e entusiastas do bem-estar a se unirem nesta jornada de expansão e integração, explorando novas possibilidades e alcançando juntos o pleno potencial de nossa atuação.

Fonte: Revista Empresário Fitness & Health – Edição 136

Escrito por: Leonardo Farah

JÁ PENSOU EM CONTROLAR A SESSÃO DE TREINO UTILIZANDO MÚSICA?

Cansado de se sentir esgotado antes mesmo de começar o treino? O estresse do dia a dia pode ser um grande obstáculo para quem busca alcançar seus objetivos durante os treinos. Mas existe uma arma que pode te ajudar a superar essa barreira: a música.

Sim, a música! Ela não serve apenas para animar o treino, mas também para acalmar a mente e o corpo, preparando-os para um exercício mais eficiente e prazeroso.

Estudos científicos evidenciam que a música relaxante diminui o cortisol, o hormônio do estresse, promovendo um estado de calma e bem-estar. O ritmo e a melodia da música podem ajudar a controlar a ansiedade e a manter o foco durante o treino. A música certa pode aumentar a energia e a disposição, te levando a superar seus limites. Cada pessoa tem uma resposta diferente à música. Experimente diferentes estilos e ritmos para encontrar o que funciona melhor para você.

Um Personal Trainer atento pode utilizar a música como um poderoso aliado, por isso, crie playlists personalizadas, adapte a música ao tipo de treino, personalidade e objetivos de cada cliente. Utilize em momentos estratégicos, coloque músicas relaxantes para o alongamento e aquecimento, e músicas mais energéticas para os exercícios mais intensos. Não esqueça que a tecnologia precisa ser utilizada a seu favor, pois os aplicativos de música com seleção de playlists para diferentes tipos de treino podem ser grandes aliados.

A música é uma ferramenta poderosa para promover relaxamento e bem-estar, com benefícios para a saúde física e mental. A música relaxante pode reduzir o estresse, a ansiedade, a dor e a pressão arterial, além de melhorar a qualidade do sono e o humor.

Fique atento, pois a escolha da música é fundamental para o sucesso da estratégia. A música em si não substitui o acompanhamento de um profissional de Educação Física, mas pode ser aliada, por isso, pesquise mais sobre esse assunto e comece a pensar na música como uma variável a ser controlada nos treinos.

Fonte: Revista Empresário Fitness & Health – Edição 135

Escrito por: Leonardo Farah

DESPERTANDO A GRATIDÃO

Como coordenador de curso de Educação Física, sempre busquei formas de inspirar e desenvolver habilidades empreendedoras nos nossos acadêmicos. Este ano, decidimos ir além: em um cenário que muitas vezes nos faz esquecer a importância de gestos simples, decidimos inovar, transformar e inspirar.

Construímos nossa Clínica Escola não apenas como um espaço para rotinas de exercícios, mas como um terreno fértil para o desenvolvimento integral dos futuros profissionais de Educação Física. Afinal, não somos apenas moldadores de corpos, mas forjadores de mentes e corações. Nossa missão vai além do condicionamento físico; é um compromisso com o bem-estar global.

Fui inspirado por um amigo, um colega Personal Trainer que ousou transformar o valor de suas aulas experimentais em atos de generosidade. Não podíamos ficar para trás. Decidimos incorporar a essência da gratidão ao nosso espaço acadêmico.

O valor simbólico cobrado pelos serviços da Clínica Escola agora não é apenas um investimento na saúde física, mas uma contribuição para um ciclo de gratidão. Cada usuário, além do valor financeiro, é convidado a doar um quilo de alimento. Parece simples, mas os resultados dessa simples prática são profundos.

Ao realizar essa doação mensal, cada pessoa que utiliza nossas instalações está participando de um ciclo de generosidade que vai além dos muros da academia. O alimento doado não apenas nutre corpos físicos, mas alimenta a alma daqueles que mais necessitam. E o mais incrível? Nossos próprios acadêmicos são os mensageiros dessa transformação.

Ao final de cada mês, nossos futuros profissionais em Educação Física têm a responsabilidade e a alegria de entregar essas doações a instituições carentes. Essa prática não apenas nutre a fome física, mas também semeia sementes de gratidão nos corações daqueles que têm o privilégio de servir. Estamos, assim, formando não apenas personal trainers, mas agentes de mudança social e promotores de bem-estar holístico.

A ação vai além do ato de doar: estamos cultivando uma cultura de gratidão, um sentimento que permeia todos os aspectos da vida. Quando nossos acadêmicos entregam as doações, estão entregando não apenas alimentos, mas uma parte de si mesmos. Estão aprendendo que a verdadeira riqueza está na capacidade de dar, no poder transformador do amor e da generosidade.

Essa jornada vai muito além da academia. Estamos construindo pontes entre o físico e o espiritual, reconhecendo que a saúde não é apenas uma questão de músculos e movimentos, mas também de conexões humanas e empatia.

A gratidão, muitas vezes, é o elo perdido em meio à correria do dia a dia. Ao incorporar essa prática na formação de nossos futuros profissionais, estamos moldando não apenas bons profissionais, mas cidadãos conscientes de seu papel na sociedade. Estamos criando uma rede de influência positiva que se estende muito além do campo de exercícios.

Neste ano, na Clínica Escola de Educação Física da Uniandrade, estamos indo além das barras de peso e das esteiras. Estamos construindo pontes entre a saúde física e a saúde espiritual. Estamos formando não apenas corpos fortes, mas mentes e corações altruístas.

A transformação começa conosco, nas pequenas escolhas que fazemos diariamente. Que cada passo dado na nossa Clínica Escola seja uma inspiração para agradecer e dar. Que cada quilograma de alimento doado seja uma semente de esperança em solo fértil.

Junte-se a nós nessa jornada além do corpo!

Escrito por: Leonardo Farah
Fonte: Revista Empresário Fitness & Health Edição 134

Fitness com Propósito

Na interseção entre espiritualidade e a profissão de Personal Trainer, desenha-se uma trama singular e enriquecedora. No universo do fitness, onde os corpos são moldados e fortalecidos, a conexão com o espírito emerge como um elemento crucial, complementando o panorama da verdadeira saúde holística.Uma sessão de treino transcende o mero exercício físico e se transforma em uma prática espiritual em movimento. Cada movimento e respiração oferecem uma oportunidade de conexão consigo mesmo e com algo além. A responsabilidade do Personal Trainer ultrapassa a simples melhoria muscular e resistência, ela se estende à promoção de um equilíbrio interior.

Ao orientar os clientes através dos exercícios, eles são incentivados a sintonizarem-se com seus próprios corpos, a escutarem os sinais que emanam deles. É nesse estado de atenção plena que a espiritualidade desempenha um papel fundamental. A jornada do fitness, nesse contexto, não é apenas física, mas uma exploração interna em busca da força da mente e da alma.

A espiritualidade, nesse contexto, não está vinculada a dogmas religiosos, mas sim à compreensão de que somos mais do que corpos físicos. Somos seres em busca de significado, propósito e uma conexão mais profunda com a vida. Cada levantamento de peso, cada alongamento torna-se uma expressão de gratidão pelo corpo presente e pela oportunidade de evolução em todos os níveis.

No papel de Personal Trainer espiritual, o foco ultrapassa o treino convencional. A orientação dos clientes visa conduzi-los a um estado onde mente, corpo e alma se entrelaçam. Estimula-se a prática de técnicas de respiração consciente, meditação e reflexão, integrando-se às atividades físicas. Assim, a jornada de fitness converte-se em uma jornada espiritual, uma busca pela integração plena de todas as partes de cada indivíduo.

Nessa abordagem holística, a transformação transcende o aspecto estético e o desempenho físico. Alcança as profundezas da existência, possibilitando que os clientes descubram uma dimensão renovada de bem-estar. A espiritualidade constitui-se como a base sólida sobre a qual construímos uma vida mais saudável, consciente e plena.

Portanto, seja na prática de exercícios de resistência ou na realização de meditações, cada passo nessa jornada representa uma oportunidade de crescimento não apenas físico, mas também espiritual. Afinal, a verdadeira saúde reside na harmonia entre corpo, mente e alma, e como Personal Trainer, a orientação visa a conduzir cada indivíduo à descoberta desse equilíbrio sagrado.

Dica de livro

Personal Trainer Espiritual: 21 verdades para uma vida melhor, de Philip Murdoch.

Escrito por: Leonardo Farah

Fonte: Revista Empresário Fitness & Health – Edição 133